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Russian Orthodox Mission Society of st. Serapion Kozheozersky

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O Encontro Com Motovilov.


O Encontro com Motovilov.


Era quinta-feira. O céu estava cinzento. A terra estava coberta de neve e espessos flocos continuavam a rodopiar quando o Padre Serafim começou nossa conversação em uma clareira, perto de seu "Pequeno Retiro" diante do rio Sarovka que corria ao pé da colina.

Ele me fez sentar sobre o tronco de uma árvore que acabara de abater e acocorou-se à minha frente.

— O Senhor me revelou — disse o grande staretz — que desde a infância você queria saber qual era o objetivo da vida cristã e que o perguntou muitas vezes, até mesmo a altos personagens da hierarquia da Igreja.

Devo dizer que desde aos 12 anos esta idéia me perseguia e que efetivamente fizera a pergunta a diversas personalidades eleciásticas, sem jamais receber uma resposta satisfatória. O staretz ignorava isto.

— Mas ninguém — continuou o Padre Serafim — lhe disse nada preciso. Aconselharam-lhe ir à Igreja, orar, viver segundo os mandamentos de Deus, fazer o bem — tal era o objetivo da vida cristã, diziam. Alguns até chegaram a desaprovar sua curiosidade, achando-a inoportuna e ímpia. Mas eles estavam errados. Quanto a mim, miserável Serafim, eu lhe explicarei agora em que consiste realmente este objetivo.

O Verdadeiro Objetivo da Vida Cristã.


A oração, o jejum, as vigílias e outras atividades cristãs, por melhores que possam parecer em si mesmas, não constituem o objetivo da vida cristã, mesmo ajudando a chegar a ele. O verdadeiro objetivo da vida cristã consiste na aquisição do Espírito Santo. Quanto à oração, o jejum, as vigílias, a esmola e toda boa ação feita em nome de Cristo, elas não passam de meios para a aquisição do Espírito Santo.

Em Nome de Cristo.


Reparem que somente uma boa ação praticada em nome de Cristo nos proporciona os frutos do Espírito Santo. Tudo que não é feito em Seu nome, mesmo o bem, não nos proporciona nenhuma recompensa no mundo que há de vir, e tampouco nos dá nesta vida a graça divina. É por isso que o Senhor Jesus Cristo dizia: "quem Comigo não ajuntar espalha" (Luc. 11:23).

Entretanto devemos chamar uma boa ação de "ajuntamento" ou colheita, pois mesmo se ela não é feita em Nome de Cristo, continua sendo boa. A Escritura diz: "Mas que lhe é agradável aquele que, em qualquer nação, o teme e obra o que é justo" (Atos 10:35). O centurião Cornélio, que temia a Deus e agia segundo a justiça, enquanto orava foi visitado por um anjo do Senhor que lhe disse: Envia homens a Jope, na casa de Simão o curtidor e encontrarás lá um certo Pedro que te fará ouvir as palavras da vida eterna pelas quais serás salvo, tu e toda a tua casa" (Atos 10).

Vemos então que o Senhor lança mão de Seus meios divinos para permitir que um homem assim não seja privado da recompensa que lhe é devida. Mas para obtê-la é preciso que desde aqui embaixo ele comece por acreditar em Nosso Senhor Jesus Cristo, Filho de Deus descido a Terra para salvar os pecadores, e adquirir a graça do Espírito Santo que introduz em nossos corações o Reino de Deus e nos abre o caminho da beatitude do mundo que há de vir. É até aí que vai a satisfação que dão a Deus as boas ações que não são feitas em nome de Cristo. O Senhor nos dá os meios de remata-las. Ao homem cabe aproveitar ou não. É por isso que o Senhor disse aos Judeus: "Se fosseis cegos, não teríeis pecados; mas como agora dizeis: vemos, por isso o vosso pecado permanece" (João 9:41). Quando um homem como Cornélio cuja obra não foi feita em Nome de Cristo, mas foi agradável a Deus, passa a crer em seu Filho, esta obra lhe é contado como feita em Nome de Cristo, por causa de sua fé Nele (Ite 11:6). Caso contrário, o homem não tem direito de reclamar que o bem realizado não lhe foi proveitoso. Isso nunca acontece quando uma boa ação foi feita em Nome de Cristo, pois o bem realizado em Seu Nome traz não somente uma coroa de glória no mundo que há de vir, mas desde aqui em baixo enche o homem da graça do Espírito Santo, como foi dito: "Não lhe dá Deus o Espírito por medida. O Pai ama o Filho, e todas as coisas entregou nas Suas mãos" (João 3:34-35).

A Aquisição do Espírito Santo.


Assim, é na aquisição deste Espírito de Deus que consiste o verdadeiro objetivo de nossa vida cristã, enquanto que a oração, a vigília, o jejum, a esmola e as outras ações virtuosas feitas em Nome de Cristo são apenas meios de adquiri-Lo.

— Como assim, aquisição? — perguntei ao Padre Serafim — Não entendo.

— Aquisição é a mesma coisa do que obtenção. Você sabe o que é adquirir dinheiro? Com o Espírito Santo, é igual. Para as pessoas em geral, o objetivo da vida consiste na aquisição de dinheiro — o ganho. Os nobres, além de tudo, desejam obter honras, marcas de distinção e outras recompensas concedidas por serviços feitos ao Estado. A aquisição do Espírito Santo também é um capital, porém um capital eterno, dispensador de graças; muito semelhante aos capitais temporais, e que se obtêm pelos mesmos procedimentos. Nosso Senhor Jesus Cristo, Deus — Homem, compara nossa vida a um mercado e nossa atividade na terra a um comércio. Recomenda a nós todos: "Negociai até que Eu venha; economizando o tempo, porquanto os dias são maus" (Luc. 19:12-13; Efe. 5:15-16), o que quer dizer: Apressem-se em obter os bens celestes negociando mercadorias terrestres. Essas mercadorias terrestres são exatamente as ações virtuosas feitas em Nome de Cristo e que nos trazem a graça do Espírito Santo.

A Parábola das Virgens.


Na parábola das Virgens Prudentes e das Virgens Loucas (Mat 25:1-13), quando estas últimas ficam sem óleo disseram-lhe: "Ide aos que o vendem e comprai-o para vós." Mas, ao voltarem, encontraram a porta do quarto nupcial fechada e não puderam entrar. Alguns acham que a falta de óleo nas Virgens Loucas simboliza a insuficiência de ações virtuosas feitas no decorrer de suas vidas. Essa interpretação não é inteiramente certa. Como poderia haver falta de ações virtuosas se elas eram chamadas virgens, ainda que loucas? A virgindade é uma alta virtude, um estado quase angélico, podendo substituir todas as outras virtudes. Eu, miserável, acho que faltava-lhes justamente o Espírito Santo de Deus. Mesmo praticando virtudes, estas virgens, espiritualmente ignorantes, acreditavam que a vida cristã consistia nestas práticas. Agimos de forma virtuosa, fizemos obras de piedade, pensavam elas, sem se preocupar se, sim ou não, haviam recebido a graça do Espírito Santo. Deste gênero de vida, baseado unicamente na prática das virtudes morais, sem um exame minucioso para saber se elas nos trazem — e em que quantidade — a graça do Espírito de Deus, foi dito nos livros patrísticos: "Há caminho que ao homem parece direito, mas o fim dele são os caminhos da morte" (Pro. 14:12).

Falando destas virgens, Antônio o Grande diz, em suas Epístolas aos Monges: "Muitos monges e virgens ignoram completamente a diferença que existe entre as três vontades que agem dentro do homem."

A primeira é a vontade de Deus, perfeita e salvífica; a segunda nossa vontade própria, humana, que, em si, não é nem nefasta nem salvífica; enquanto que a terceira — diabólica — é completamente nefasta. É esta terceira vontade inimiga que obriga o homem ora a não praticar a virtude, ora a praticá-la por vaidade, ou unicamente pelo "bem" e não pelo Cristo. A segunda, nossa vontade própria, nos incita a satisfazer nossos maus instintos ou, como a do inimigo, nos ensina a fazer o "bem" pelo bem, sem se preocupar com a graça que pode ser adquirida. Quanto à primeira vontade, a de Deus, salvífica, ela consiste em nos ensinar a fazer o bem unicamente com o objetivo de adquirir o Espírito Santo, tesouro eterno, inesgotável, a que na dado mundo é digno de se igualar.

É justamente a graça do Espírito Santo, simbolizada pelo óleo, que faltava às Virgens Loucas. Elas são chamadas "loucas" porque não se preocupavam com o fruto indispensável da virtude que a graça do Espírito Santo, sem o qual ninguém pode ser salvo, pois "toda alma é vivificada pelo Espírito Santo para que seja iluminada pelo sagrado mistério da Unidade Trinitária" (Antífona antes do Evangelho das matinas). O próprio Espírito Santo vem habitar em nossas almas, e esta residência em nós do Todo-Poderoso, a coexistência em nós de sua Unidade Trinitária com nosso espírito só nos é dada à condição de trabalharmos por todos os meios a nosso alcance, na obtenção deste Santo Espírito que prepara em nós um lugar digno deste encontro, segundo a imutável palavra de Deus: "E viremos para ele, e faremos nele morada; e serei seu Deus e ele será Meu povo" (Apo. 3:20; João 14:23). É isso, o óleo que as Virgens Prudentes tinham em suas lâmpadas, óleo capaz de queimar durante muito tempo, alto e claro, permitindo-as esperar a chegada, à meia-noite, do esposo, e a entrada, com Ele, no quarto nupcial da felicidade eterna.

Quanto as Virgens Loucas, vendo que corriam o risco da lâmpada apagar, foram ao mercado, mas não tiveram tempo de voltar antes da porta fechar. O mercado — é a nossa vida. A porta do quarto nupcial, fechada, e interditando o acesso ao Esposo — é a nossa morte humana; as virgens — prudentes e loucas — são as almas cristãs. O óleo simboliza não as nossas ações, mas a graça pela qual o Espírito Santo enche nosso ser, transformando isto naquilo; o corruptível em incorruptível, a morte psíquica em vida espiritual, as trevas em luz, o estábulo onde, como animais, nossas paixões estão acorrentadas, em Templo de Deus, em câmara nupcial onde encontramos nosso Senhor, Criador e Salvador, Esposo de nossas almas. É grande a compaixão que Deus tem por nosso infortúnio, quero dizer, por nossa negligência em relação à Sua solicitude. Ele diz "Eis que estou à porta, e bato" (Apo. 3:20), entendendo-se por "porta" a corrente de nossa vida ainda não estancada pela morte.

A Oração.


Ah, como eu gostaria, amigo de Deus, que nesta vida você estivesse sempre no Espírito Santo. "Eu vos julgarei no estado em que vos encontrar," diz o Senhor (Mat. 13:33-37; Luc. 19:12 em diante). Que grande infortúnio se Ele nos encontrar sobrecarregados pelas preocupações e males terrestres, pois quem pode suportar Sua cólera e resistir-Lhe? É por isso que foi dito: "Vigiai e orai para que não entreis em tentação" (Mat. 26:41), em outras palavras, para não ser privado do Espírito de Deus, pois as vigílias e orações nos dão Sua graça.

É verdade que toda boa ação feita em Nome de Cristo confere a graça do Espírito Santo, mas a oração mais do que tudo, por estar sempre à nossa disposição. Você poderia, por exemplo, ter vontade de ir à igreja, mas a igreja é longe, ou o ofício já acabou; poderia querer dar esmolas, mas você não vê um pobre por perto, ou não tem dinheiro; você poderia querer permanecer virgem, mas não tem força suficiente para isso, por causa de sua constituição ou das armadilhas do inimigo a que a fraqueza de sua carne não lhe permite resistir; você poderia querer talvez encontrar uma outra boa ação para fazer em Nome de Cristo, mas não tem força, ou a ocasião não se apresenta. Quanto à oração, nada disso a afeta: Todos têm sempre a possibilidade de orar, ricos e pobres, famosos e comuns, fortes e fracos, são e enfermos, virtuosos e pecadores.

Pode-se julgar o poder da oração, mesmo pecadora, sendo de um coração sincero, pelo seguinte exemplo trazido pela Santa Tradição: por pedido de uma infeliz mãe que acabara de perder seu único filho, uma cortesã que ela encontrou no caminho, mobilizada pelo desespero maternal, ousou gritar ao Senhor, mesmo orando ainda suja por seu pecado: "Não por mim, horrível pecadora, mas pelas lágrimas desta mãe que chora seu filho crendo firmemente em Tua misericórdia e em Tua Onipotência, ressuscita-o, Senhor!" E o Senhor o ressuscitou.

Tal é o poder da oração, amigo de Deus. Mais do que qualquer coisa, ela nos dá a graça do Espírito de Deus e, mais do que tudo ela está sempre a nosso alcance. Bem aventurados seremos quando o Senhor nos encontrar vigilantes, na plenitude dos dons de seu Espírito Santo. Podemos então esperar ser arrebatados às nuvens ao encontro de Nosso Senhor vindo pelos ares revestido de poder e de glória, julgar os vivos e os mortos e dar a cada um seu quinhão.

Quando a Oração Cede a Vez ao Espírito Santo.


Você acha, amigo de Deus, que é uma grande felicidade poder conversar com o miserável Serafim, por estar persuadido de que ele não é desprovido de graça. Que diríamos, então, de uma conversa com o próprio Deus, fonte inesgotável de graças celestes e terrestres? É pela oração que nos tornamos dignos de conversar com Ele, nosso vivificante e misericordioso Salvador. Mas, ainda assim, só se deve orar até o momento em que o Espírito Santo desce sobre nós e nos concede, em certa medida conhecida apenas por Ele, Sua graça celeste. Visitado por Ele, é preciso parar de orar.

Com efeito, para que serve implorar-lhe: "Vem e habita em nós, purifica-nos de toda impureza e salva as nossas almas, Tu que és bom"(Tropário ortodoxo recitado no começo dos ofícios), quando Ele já veio, em resposta às nossas humildes e amorosas solicitações, templo de nossas almas sedentas por sua vinda? Explico isto com um exemplo. Suponhamos que você tenha me convidado à sua casa, que eu tenha vindo conversar com você, mas que, apesar da minha presença, você não pare de repetir: "Você gostaria de vir à minha casa?, eu certamente pensaria: "O que ele tem? Perdeu a cabeça. Estou na casa dele, e ele continua me convidando." A mesma coisa é válida a respeito do Espírito Santo. É por isso que foi dito: (segundo o texto francês) "Afastai-vos, e sabei que Eu sou Deus; serei entre as nações, serei exaltado sobre a Terra" (Sal. 46:10). O que significa: aparecerei e continuarei a aparecer a cada crente e conversarei com ele, como conversava com Adão no paraíso, com Abraão e Jacob e meus outros servidores. Moisés, já e seus semelhantes. Muitos acreditam que este "afastamento" deve ser interpretado como referindo-se aos negócios deste mundo, o que quer dizer que ao se falar com Deus na oração é preciso se afastar de tudo o que é terrestre. Certamente. Mas eu, por Deus, direi-lhes que apesar de que seja necessário, durante a oração, afastar-se disto, também é preciso, quando o Senhor Deus, o Espírito Santo nos visita e vem em nós na plenitude de Sua indescritível bondade, afastar-se da oração, suprimir a própria oração.

A alma orando fala e profere palavras. Porém, na descida do Espírito Santo convém estar absolutamente silencioso, a fim de que a alma possa ouvir claramente e compreender bem os anúncios da vida eterna que Ele Se digna a trazer. A alma e o espírito devem se encontrar em estado de completa sobriedade e o corpo em estado de castidade e pureza. É assim que as coisas se passaram no Monte Horeb quando Moisés ordenou aos israelitas que se abstivessem de mulheres três dias antes da descida de Deus sobre o Sinai, pois Deus é "um fogo consumidor" (Heb. 12:29), e nada de impuro, física ou espiritualmente, pode entrar em contato com Ele.

Comércio Espiritual.


— Mas como praticar, Padre, em Nome de Cristo, outras virtudes que permitiriam a aquisição do Espírito Santo? O Senhor só fala da oração.

— Obtenha a graça do Espírito Santo negociando todas as virtudes possíveis em Nome de Cristo, faça comércio espiritualmente, negocie as que lhe trazem mais benefícios. O capital, fruto das bem aventuradas rendas da misericórdia divina, deve ser investido na caderneta de poupança eterna de Deus de porcentagens imateriais, não somente de 4% e 6%, mas de 100% e até mais. Por exemplo, as orações e vigílias lhe trazem muitas graças? Vigiem e orem. O jejum traz mais? — Jejuai. A caridade traz mais ainda? Faça caridade. Considere assim cada boa ação feita em Nome de Cristo.

Vou lhe falar de mim, miserável Serafim. Nasci em uma família de comerciantes da cidade de Kursk. Antes de minha entrada no mosteiro, eu e meu irmão negociávamos diversas mercadorias, especialmente aquelas que nos traziam mais lucro. Faça o mesmo. Assim como no comércio o objetivo é conseguir o máximo possível de lucro, também na vida cristã o objetivo deve ser não somente de orar e fazer o bem, mas de obter o maior número possível de graças. Apesar de o Apóstolo dizer: "Orai sem cessar" (I Tes. 5:17), ele acrescenta: "toda via eu antes quero falar cinco palavras na minha própria inteligência do que 10 000 palavras em língua desconhecida" (l Cor. 14:19). E o Senhor nos previne: "Nem todos o que me diz: Senhor, Senhor! entrará no reino dos céus, mas aquele que faz a vontade de Meu Pai" (Mat. 7:21), em outras palavras, aquele que faz a obra do Senhor com zelo (Jer. 48:10). E qual é esta obra, senão "Crer em Deus e Naquele que Ele enviou" (João 6:29)? Se refletirmos corretamente sobre os mandamentos do Cristo e dos Apóstolos, vemos que nossas atividades cristãs não devem consistir unicamente em acumular boas ações, que não são senão meios de chegar ao fim — mas tirar delas o maior lucro, quero dizer, obter os dons abundantes do Espírito Santo.

Como eu gostaria, amigo de Deus, que você encontrasse esta fonte inesgotável de graça e que você se interrogasse sem cessar: "O Espírito Santo está comigo? Se Ele está comigo, bendito seja Deus, não preciso me preocupar — mesmo se o juízo final for amanhã, estou pronto a comparecer. Porque foi dito: "Eu vos julgarei no estado em que vos encontrar." Se, ao contrário, não temos mais a certeza de estar no Espírito Santo, é preciso descobrir por que Ele nos abandonou e buscá-Lo sem parar, até achá-Lo novamente, Ele e Sua graça. É preciso perseguir os inimigos que nos impedem de ir até Ele até seu completo aniquilamento. O profeta David disse: "Persegui os meus inimigos e os alcancei: não voltei senão depois de os ter consumido. Atravessei-os, de sorte que não se puderam levantar; caíram debaixo dos meus pés" (Sal. 18:38-39).

Pois é, é bem assim. Faça comércio espiritual com a virtude. Distribua os dons da graça a quem os pede, inspirando-se no seguinte exemplo: uma vela acesa, mesmo queimando com um fogo terrestre, acende, sem por isso perder seu brilho, outras velas que iluminarão outros lugares. Se esta é a propriedade do fogo terrestre, que dizer do fogo da graça do Espírito Santo? A riqueza terrestre, distribuída, diminui. Quanto à riqueza celeste da graça, ela não faz senão aumentar naquele que a propaga. Assim o próprio Senhor diz à Samaritana: "Qualquer que beber desta água tornará a ter sede, mas aquele que beber da água que Eu lhe der nunca terá sede, porque a água que Eu lhe der se fará nele uma fonte d' água que salte para a vida eterna" (João 4:14).

Ver Deus.


— Padre, disse-lhe eu, o senhor sempre fala na aquisição da graça do Espírito Santo como objetivo da vida cristã. Mas como posso reconhecê-la? As boas ações são visíveis. Mas o Espírito Santo pode ser visto? Como posso saber se, sim ou não, Ele está em mim?

— Na época em que vivemos — respondeu o staretz — chegamos a uma fé tão morna, a tamanha insensibilidade no que diz respeito à comunhão com Deus, que nos afastamos quase que totalmente da verdadeira vida cristã. Certas passagens das Escrituras nos parecem estranhas hoje, por exemplo, quando o Espírito Santo, pela boca de Moisés, diz: "Adão via Deus passeando no Paraíso" (Gen. 3:8) ou quando temos que o Apóstolo Paulo foi impedido pelo Espírito Santo de anunciar a palavra na Ásia, mas que o Espírito o acompanhou quando foi a Macedonia (Ac. 16:6-9). Em muitas outras passagens da Santa Escritura, várias vezes, fala-se da aparição de Deus aos homens.

Então alguns dizem: "Estes trechos são incompreensíveis. Pode-se admitir que homens possam ver Deus de uma forma tão concreta?" Esta incompreensão vem do fato de que, sob pretexto de instrução, de ciência, nós nos comprometemos com tamanha escuridão de ignorância que achamos inconcebível tudo aquilo de que os anciões tinham uma noção bastante clara, a ponto de poder falar entre si das manifestações de Deus aos homens como de coisas conhecidas por todos e nem um pouco estranhas. Assim Jó, quando seus amigos o censuravam por blasfemar contra Deus, respondia: "Como poderia fazer isso quando sinto o sopro do Todo Poderoso nas minhas narinas?" (Jó. 27:3). Em outras palavras, como posso blasfemar quando o Espírito Santo está comigo? Se eu blasfemasse, o Espírito Santo me abandonaria, mas sinto Sua respiração em minhas narinas. Abraão e Jacó conversaram com Deus. Jacob até lutou com Ele. Moisés viu Deus, e todo o povo com ele, quando ele recebeu as Tábuas da Lei no Sinai. Uma coluna de nuvem de fogo — a graça visível do Espírito Santo — servia de guia ao povo hebreu no deserto. Os homens viam Deus e Seu Espírito não em sonho ou em êxtase — frutos de uma imaginação doentia — mas em realidade.

Por termos nos tornado desatentos, compreendemos as palavras da Escritura de forma contrária à que se deveria. E tudo isso porque, ao invés de procurar a graça, nos a impedimos, pelo orgulho intelectual, de vir habitar em nossas almas e nos iluminar, como são iluminados aqueles que buscam a verdade com todo coração.

A Criação.


Muitos, por exemplo, interpretam as palavras da Bíblia: "E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra, e soprou em seus narizes o fôlego da vida" (Gen. 2:7), como querendo dizer que até então não havia em Adão nem alma nem espírito humano, mas somente uma carne criada do pó da terra. Esta interpretação não é exata, pois o Senhor Deus criou Adão do pó da Terra no estado de que fala o Apóstolo Paulo quando afirma: "e todo o nosso espírito, e alma, e corpo, sejam perfeitos na vinda do Senhor Jesus Cristo."

Todas estas três partes de nosso ser foram criadas do pó da terra. Adão não foi criado morto, mas criatura animal ativa, semelhante às outras criaturas que viviam sobre a terra e animadas por Deus. Mas eis algo importante. Se Deus não houvesse depois soprado na face de Adão o fôlego de vida, isto é, a graça do Espírito Santo procedente do Pai e repousando sobre o Filho e enviando a este mundo por causa dele, sendo perfeito e superior às outras criaturas, Adão teria ficado privado do Espírito divinizante e seria semelhante a todas as criaturas que têm carne, alma e espírito conforme sua espécie, mas privadas, no interior, do Espírito Santo que torna semelhante a Deus. A partir do momento em que Deus lhe deu o sopro de vida, Adão se tornou, segundo Moisés, "uma alma vivente" quer dizer, em tudo semelhante a Deus, eternamente imortal. Adão fora criado invulnerável. Nenhum elemento tinha poder sobre ele. A água não podia afogá-lo, o fogo não podia queimá-lo, a terra não podia engoli-lo e o ar não poderia fazer mal. Tudo lhe era submetido como ao preferido de Deus, como ao proprietário e rei das criaturas. Ele era a própria perfeição, a coroa das obras de Deus, e era admirado como tal. O fôlego da vida que Adão recebeu do Criador encheu-o de sabedoria ao ponto de, jamais ter havido, e provavelmente jamais vir a nascer, um homem tão cheio de conhecimento e de sabedoria quanto ele. Quando Deus lhe ordenou que desse nomes a todas as criaturas, ele as nomeou segundo as qualidades, as forças e as propriedades conferidas por Deus a cada uma.

Este dom da graça divina supranatural, vinda do fôlego de vida que recebera, permitia a Adão ver Deus passeando no paraíso e compreender suas palavras, assim como a conversa dos santos Anjos e a língua de todas as criaturas, pássaros, répteis que vivem sobre a terra, tudo o que nos é dissimulado, a nós pecadores, desde a queda, mas que, antes da queda, era totalmente claro para Adão.

A mesma sabedoria, a mesma força e o mesmo poder, assim como qualquer outra qualidade boa e santa, haviam sido conferidas por Deus a Eva no momento da criação, não do pó da terra, mas de uma costela do Adão no Éden das delícias, no paraíso manifestado no meio da terra.

A Árvore da Vida e o Pecado Original.


Para que Adão e Eva sempre pudessem manter em si suas propriedades imortais, perfeitas e divinas, vindas do sopro da vida, Deus plantou no meio do paraíso a árvore da vida, em cujos frutos toda a substância e a plenitude dos dons de seu divino fôlego. Se Adão e Eva não houvessem pecado, teriam podido, eles e seus descendentes, comendo os frutos daquela árvore, manter em si a força vivificante da graça divina, assim como uma plenitude imortal, eternamente renovada, das forças corporais, psíquicas e espirituais, um não-envelhecimento perpétuo, um estado de beatitude que nossa imaginação atual mal consegue conceber.

Porém, tendo provado do fruto da árvore do conhecimento do bem e do mal, antes da hora e contrariamente aos mandamentos de Deus, conheceram a diferença entre o bem e o mal e tornaram-se vítimas dos desastres que se abateram sobre eles após infringirem o mandamento divino. Perderam o precioso dom da graça do Espírito Santo e até a vinda à terra de Jesus Cristo, Deus-Homem "O Espírito Santo não estava no mundo, por ainda Jesus não ter sido glorificado" (Jo 3:39).

O Espírito de Deus no Antigo Testamento.


Isto não quer dizer que o Espírito Santo tenha abandonado completamente o mundo, porém sua presença não era tão manifesta como era em Adão ou como é em nós cristãos ortodoxos, mas permanecia exterior, e os homens bem sabiam. Assim por exemplo, muitos segredos a respeito da futura redenção da humanidade foram revelados a Adão e Eva após a queda. Apesar do seu crime, Caim pôde ouvir a voz divina proferindo reprimendas. Noé conversou com Deus. Abraão viu Deus e Sua Luz e se rejubilou. A graça do Espírito Santo manifestava-se exteriormente em todos os profetas veterotestamentários e nos santos de Israel. Os judeus tinham até escolas especiais para aprender a discernir os sinais das aparições de Deus ou dos anjos e a diferenciar as ações do Espírito Santo dos acontecimentos da vida cotidiana, privada da graça. Simeão, Joaquim e Ana, e vários outros servidores de Deus eram frequentemente gratificados por manifestações divinas. Eles ouviam vozes, recebiam revelações confirmadas em seguida por acontecimentos miraculosos, porém verídicos.

O Espírito de Deus entre os Pagãos.


O Espírito de Deus manifestava-se igualmente, embora com uma força menor, entre os pagãos que não conheciam o verdadeiro Deus, mas entre os quais Ele também encontrava adeptos. As virgens profetisas, por exemplo, as sibilas, mantinham a virgindade para um Deus Desconhecido — mas ainda assim um Deus — que se estimavam ser o Criador do Universo, o Todo-Poderoso que governava o mundo. Os filósofos pagãos, errando nas trevas da ignorância de Deus, porém em busca da verdade, podiam, por causa desta busca agradável ao Criador, receber, até certo ponto o Espírito Santo. Está dito: "As nações que ignoram Deus agem segundo a lei natural e fazem o que lhe agrada" (Rom. 2:14). A verdade é tão agradável a Deus que Ele mesmo proclama por meio de Seu Espírito: "A justiça" irradia da Terra e a verdade se inclina dos céus (Sal. 85:11).*

É assim que o conhecimento de Deus se conservou no povo eleito, amado de Deus, da mesma forma que entre os pagãos que ignoravam Deus, desde a queda de Adão e até a Encarnação de Nosso Senhor Jesus Cristo.

* (N. da T) — Na tradução de J. F. de Almeida figura: Rom. 2. 14 — Porque, quando os gentios que não têm lei, fazem naturalmente as coisas que são da lei, não tendo eles lei, para si mesmos são lei. Sal. 85. 11 — A verdade brotará da terra, e a justiça olhará desde os céus.

A Vinda de Cristo Revelada pelo Espírito Santo.


Sem este conhecimento sempre conservado claramente no gênero humano, como poderiam os homens saber ao certo se Ele viera, Ele que, segundo a promessa feita a Adão e Eva, devia nascer de uma Virgem destinada a esmagar a cabeça da serpente?

Mas eis que São Simeão — a quem foi revelado, à idade de 65 anos, o mistério da concepção e do nascimento virginal de Cristo proclamou em voz alta no Templo que tinha certeza, no Espírito Santo, de ver diante de si o Cristo, Salvador do Mundo, cujo nascimento, da Puríssima Virgem Maria, havia lhe sido predito 300 anos antes por um anjo **. E também Sant'Anna, a profetisa, filha de Fanuel, que desde a viuvez, durante 80 anos serviu o Templo, mulher cheia de graça e sabedoria, anunciou que ali estava o Messias, o verdadeiro Cristo, Deus e homem, o Rei de Israel vindo salvar Adão e todo o gênero humano.

** (N. da Ed. original) O texto é aqui provindo de uma tradição apócrifa, segundo a qual o ancião Simeão teria vivido até os 385 anos.

Renovação do "Fôlego de Vida" Perdido por Adão.


Quando Nosso Senhor Jesus Cristo completou Sua obra de salvação, ressuscitado dos mortos, Ele soprou sobre os Apóstolos, renovando o sopro de vida de que Adão usufruía e lhes devolvendo a mesma graça que Adão havia perdido. Mas isto não é tudo. Ele lhes disse: "Digo-vos a verdade, que vos convêm que vá; porque, se Eu não for, o Consolador não virá a vós; mas, se Eu for, enviar-vo-Lo-ei; e quando Ele vier, Ele vos guiará em toda a verdade; vós e todos os que crerem em vosso ensinamento e Ele vos fará lembrar tudo quanto vos tenho dito" (João 16:7-26). É a graça que Ele já prometia. "Graça sobre graça."

O Pentecostes.


E eis que no dia de Pentecostes, Ele lhes enviou solenemente o Espírito Santo em um sopro de tempestade, sob o aspecto de línguas de fogo que pousaram sobre cada um deles e encheram-nos da força fulgurante da graça divina, orvalho vivificante e alegria para as almas daqueles que comungam com Seu poder e Seus efeitos.

O Batismo.


Esta graça fulgurante do Espírito Santo é conferida a todos nós fiéis de Cristo, no sacramento do batismo. Ela é selada pelo crisma — unção feita com os santos óleos sobre os principais membros de nosso corpo indicados pela Santa Igreja, depositária eterna desta graça. Dizemos: "O selo do dom do Espírito Santo" Ora, sobre o que colocamos nossos selos senão sobre os recipientes cujo conteúdo é particularmente precioso? E o que há de mais precioso e demais sagrado no mundo do que os dons do Espírito Santo enviados do Alto durante o sacramento do batismo?

Esta graça batismal é tão grande, tão importante, tão vivificante para o homem que mesmo se ele se torna um herege ela não lhe é retirada até a morte, isto é, até o fim de sua prova temporal fixada pela Providência, a fim de lhe dar uma chance de se reerguer.

Se não pecássemos, seríamos sempre servidores de Deus santos e imaculados, estranhos a toda impureza do corpo e do espírito. A infelicidade é que, avançando em idade nós não crescemos em sabedoria e graça como o fazia Nosso Senhor Jesus Cristo (La 2:52), mas, ao contrário, nos depravamos cada vez mais e, privados do Espírito Santo, tornamo-nos grandes abomináveis pecadores.

Arrependimento.


Quando um homem, trazido de volta à vida pela sabedoria divina sempre em busca de nossa salvação, decide se voltar para Deus para escapar da perdição, deve seguir a via do arrependimento, praticar as virtudes contrárias aos pecados cometidos, e agindo em Nome de Cristo, esforçar-se por adquirir o Espírito Santo que, dentro de nós, prepara o Reino Celeste.

Não foi à toa que o Verbo disse: "O Reino de Deus está dentro de vós.* Entra-se nele pela violência do esforço" (Luc 17:21). Se, apesar dos laços do pecado que os mantêm cativos, impedindo-os, por renovadas iniqüidades, de voltar-se para o Salvador em perfeita contrição, os homens se esforçarem por romper estes laços, eles chegarão finalmente perante a Face de Deus mais brancos do que a neve, purificados por Sua graça.

"Vinde, diz o Senhor, e ainda que vossos pecados sejam como a escarlata, eles se tornarão brancos como a neve" (Isa. 1:18). O Vidente do Apocalipse, o Apóstolo São João Teólogo, viu tais homens vestidos de branco, justificados, com palmas nas mãos em sinal de vitória e entoando Aleluia. Era incomparável a beleza deste canto. O Anjo do Senhor disse falando deles: "Estes são os que vieram da ** grande tribulação, e levaram os seus vestidos e os branquearam no sangue do Cordeiro" (Apo. 7:14).

* (N. da T). — No francês figura "dentro de vós" ("au dedans de vous") . Na tradução de J. F. de Almeida, entretanto, temos "entre vos."

** (N. da T). -em J. F. A., figura . . . de grande tribulação. . .

O Sangue do Cordeiro Dado em Troca do Fruto da Árvore da Vida.


"Lavado" pelo sofrimento, "perfeitamente limpo" ao comungar nos santos mistérios da Carne e do sangue do Cordeiro imaculado, Cristo voluntariamente imolado antes dos séculos para a salvação do mundo e ainda hoje imolado, fracionado, jamais consumido a fim de nos fazer participar na vida eterna e nos permitir justificar-nos no Juízo Final. Mistério dado em troca — para além de todo entendimento — daquele fruto da árvore da Vida com que o inimigo da humanidade, Lúcifer caído do céu, queria enganar o gênero humano.

A Virgem Maria.


Apesar do fato de satan ter seduzido Eva, arrastando Adão em seguida, Deus não somente nos deu um Redentor que pela Morte venceu a Morte, mas também na pessoa de Maria, a Mãe de Deus, Maria sempre Virgem, que esmagou em Si mesma e em todo o gênero humano a cabeça da serpente, Ele nos forneceu uma advogada incansável ante Seu Filho e nosso Deus, uma medianeira invencível pelos pecadores mais endurecidos. E por causa disso que Ela é chamada "O Flagelo dos demônios" pois é impossível que um demônio faça um homem perecer enquanto o próprio homem não parar de recorrer à ajuda da Theotokos.

Diferença entre a Ação do Espírito Santo e a do maligno.


Devo ainda, eu, miserável Serafim, explicar-lhe, amigo de Deus, em que consiste a diferença entre a ação do Espírito Santo tomando posse misteriosamente dos corações daqueles que crêem em Nosso Senhor e Salvador Jesus Cristo e a ação tenebrosa do pecado que vem a nós como um ladrão, instigado pelo demônio.

O Espírito Santo nos traz à memória as palavras de Cristo e trabalha em sintonia com Ele, guiando nossos passos, solene e alegremente, no caminho da paz. Enquanto que as ações do espírito diabólico, oposto ao Cristo, nos incitam à revolta e nos tornam escravos da luxúria, da vaidade e do orgulho.

"Em verdade, em verdade vos digo, aquele que crê em Mim não morrerá jamais" (João 6:47). Aquele que por sua fé em Cristo está de posse do Espírito Santo, mesmo tendo cometido por fraqueza humana um pecado qualquer, causando a morte de sua alma, não morrerá para sempre, mas será ressuscitado pela graça de Nosso Senhor Jesus Cristo que tomou para Si os pecados do mundo e que dá gratuitamente graça após graça.

É falando desta graça manifestada ao mundo inteiro e a nosso gênero humano pelo Deus Homem que o Evangelho diz: "De todo ser Ele era a vida, e a vida era a luz dos homens," e acrescenta: "e a luz resplandece nas trevas, e as trevas não O compreenderam" (João l:4-5). O que quer dizer, que a graça do Espírito Santo recebida no batismo em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, apesar das quedas pecaminosas, apesar das trevas que envolvem nossa alma, continua a resplandecer em nosso coração com sua eterna luz divina por causa dos inestimáveis méritos de Cristo. Diante de um pecador endurecido, esta luz de Cristo diz ao Pai: "Abba, pai, que Tua cólera não se acenda contra este endurecimento." E, em seguida, quando o pecador se volta ao arrependimento, ela apagará completamente os traços dos crimes cometidos, revestindo o antigo pecador de uma veste de incorruptibilidade tecida pela graça deste Espírito Santo de cuja aquisição lhe falo o tempo todo.

A Graça do Espírito Santo é Luz.


Ainda é preciso que lhe diga, para que você possa compreender melhor o que se deve entender por graça divina, como se pode reconhecê-la como ela se manifesta aos homens que ela ilumina: a Graça do Espírito Santo é Luz.

Toda a Santa Escritura fala disso. David, o ancestral do Deus Homem, disse: "Lâmpada para os meus pés é Tua palavra, e luz para o meu caminho" (Sal. 119:105). Quer dizer, a graça do Espírito Santo que a lei revela sob forma de mandamentos divinos é minha luminária e minha luz, e se não fosse esta graça do Espírito Santo "que com tanta dificuldade me esforço por adquirir, buscando sete vezes por dia sua verdade" (Sal. 119:164)*, como no meio de numerosas preocupações inerentes a minha posição real poderia eu encontrar em mim uma só faísca de luz para me clarear no caminho da vida obscurecida pelo ódio de meus inimigos?

Com efeito, o Senhor mostrou várias vezes, na presença de numerosas testemunhas, a ação da graça do Espírito Santo sobre os homens que Ele havia clareado e ensinado por meio de grandiosas manifestações. Lembrem-se de Moisés após seu encontro com Deus no Monte Sinai (Exo. 34:30-35). Os homens não podiam sequer fitá-lo, de tanto que seu rosto brilhava com uma luz extraordinária. Ele foi até obrigado de se apresentar ao povo com o rosto coberto por um véu. Lembre-se da Transfiguração do Senhor no Tabor. "E transfigurou-se diante deles, e Seus vestidos se tornaram brancos como a neve. . . e seus discípulos cheios de medo caíram sobre seus rostos." Quando Moisés e Elias apareceram revestidos pela mesma luz "uma nuvem luminosa os cobriu para que eles não ficassem cegos" (Mat. 17:1-8; Mac. 9:2-8; Luc. 9:28-37). É assim que a graça do Espírito Santo de Deus aparece em uma luz inefável àqueles a quem Deus manifesta Sua ação.

* (N. da T) — O versículo citado é "Sete vezes no dia Te louvo pelos juízos da tua justiça."

Presença do Espírito Santo.


— Como, então, perguntei ao Padre Serafim, posso reconhecer em mim a presença da graça do Espírito Santo?

— É muito simples — respondeu ele. Deus disse: "Tudo é simples para aquele que adquire a Sabedoria" (Pro. 14:6)*. Nosso infortúnio é que não a procuramos, esta Sabedoria divina que, não sendo deste mundo, não é presunçosa. Cheia de amor por Deus e pelo próximo, ela modela o homem para sua salvação. É falando desta Sabedoria que o Senhor disse: "Deus quer que todos se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade" (ITim. 2:4). A seus Apóstolos que careciam desta Sabedoria, Ele disse: "Como lhes falta Sabedoria! Não lestes as Escrituras?" (Luc. 24:25-27). E o Evangelho diz que Ele "lhes abriu a inteligência para que eles pudessem compreender as Escrituras." Tendo adquirido esta Sabedoria, os Apóstolos sabiam sempre se, sim ou não, o Espírito de Deus estava com eles e, cheios deste Espírito, afirmavam que sua obra era santa e agradável a Deus. É por isso que, em suas Epístolas, eles podiam escrever: "pareceu bem ao Espírito Santo e a nós" (Ato. 15:28), e era apenas por estarem persuadidos de Sua presença sensível que eles enviavam suas mensagens. Então, amigos de Deus, esta vendo como é simples?

Respondi:

— Ainda assim, não compreendo como posso ficar absolutamente seguro de me encontrar no Espírito Santo. Como posso eu mesmo desvendar em mim Sua Manifestação?

O Padre Serafim respondeu:

— Já lhe disse que é muito simples e lhe expliquei com detalhes como os homens se encontravam no Espírito Santo e como era preciso compreender Sua manifestação em nós. . . que lhe falta ainda?

— Ainda me falta compreender realmente bem.

* (N. daT). — Em J. F. A.: "Para o prudente, o conhecimento é fácil."

A Luz Incriada.


Então o Padre Serafim me pegou pelos ombros e, apertando-os fortemente, disse:

— Estamos ambos, você e eu, na plenitude do Espírito Santo. Por que você não olha para mim?

— Não consigo, Padre, olhar para o senhor. Raios jorram de seus olhos. Seu rosto tornou-se mais luminoso do que o Sol. Meus olhos estão ardendo. . .

O Padre Serafim disse:

— Não tenha medo, amigo de Deus. Você ficou tão luminoso quanto eu. Você também esta agora na plenitude do Espírito Santo, senão não conseguiria me ver.

Inclinando a cabeça em minha direção, disse-me ao pé do ouvido:

— Agradeça ao Senhor por nos ter concedido esta graça indescritível. Você viu — eu nem mesmo fiz o Sinal da Cruz. Em meu coração, em pensamento somente, eu orei: "Senhor, torna-o digno de ver claramente, com os olhos da carne, a descida do Espírito Santo, como a Teus servidores eleitos quando Te dignaste aparecer-lhes na magnificência da Tua glória!" E imediatamente Deus atendeu a humilde prece do miserável Serafim. Como deixar de Lhe agradecer por este dom extraordinário que Ele concede a nós dois? Não é sempre que Deus manifesta assim Sua graça, nem mesmo aos grandes eremitas. Como uma mãe amorosa, essa graça dignou-se a consolar seu coração desolado, pela oração da própria Mãe de Deus. Mas por que você não me olha nos olhos? Ouse me fitar sem medo, Deus está conosco.

Depois de ouvir isto, ergui meus olhos para seu rosto e um medo maior ainda se apossou de mim. Imagine no meio do Sol, no mais forte esplendor de seus raios do meio-dia, o rosto de um homem que lhe fala. Você vê o movimento dos lábios dele, a expressão de seus olhos mudando, você ouve o som da voz dele, você sente a pressão das mãos dele sobre seus ombros, mas ao mesmo tempo você não percebe nem as mãos nem o corpo dele, e nem o seu, nada senão uma faiscante luz se propagando à volta, a uma distância de muitos metros iluminando a neve que cobria a planície e caía sobre mim e o staretz. Pode-se imaginar a situação em que eu estava?

— O que você sente agora? — respondeu o Padre Serafim.

— Sinto-me extraordinariamente bem.

— Como, "bem"? O que você quer dizer com "bem"?

— Minha alma está repleta de um silêncio e uma paz inexprimíveis.

— Aí está, amigo de Deus, aquela paz de que o Senhor falava quando dizia a Seus discípulos: "Deixo-vos a Minha paz, não como o mundo a dá. Sou Eu que dou-a a vós. Se vós fosseis deste mundo, este mundo vos amaria. Mas Eu vos escolhi e o mundo nos odeia. Mas tendes bom ânimo, Eu venci o mundo" (João 14:27; 15:19; 16:33). É a esses homens, eleitos por Deus porém, odiados pelo mundo, que Deus dá a paz que você sente neste momento, essa paz, diz o Apóstolo, "que excede todo o entendimento" (Fil. 4:7). O Apóstolo a chama assim porque nenhuma palavra consegue exprimir o bem-estar espiritual que ela faz nascer nos corações dos homens onde o Senhor a implanta. Ele próprio a chama Sua paz (João 14:27). Fruto da generosidade de Cristo e não deste mundo, nenhuma felicidade terrestre pode facultá-la. Enviada do alto pelo próprio Deus, ela é a Paz de Deus. O que mais você sente?

— Uma doçura extraordinária.

— É a doçura de que falam as Escrituras. "Eles tomarão a bebida de Tua casa e tu os saciará com a torrente das Tuas delícias" (Sal. 36:8). Ela transborda de nosso coração, corre em nossas veias, propicia uma Sensação de delícia inexprimível. . . O que mais você sente?

— Uma alegria extraordinária em meu coração.

— Quando o Espírito Santo desce sobre o homem com a plenitude de Seus dons, a alma humana fica repleta de uma alegria indiscutível, e o Espírito Santo recria em júbilo tudo aquilo que toca. É desta alegria que o Senhor fala no Evangelho quando diz: "A mulher, quando esta para dar à luz, sente dor, porque é chegada sua hora. Mas, depois de ter dado à luz a criança, já não se lembra da dor, tamanha é sua alegria. Assim também vós agora, vos tereis de sofrer neste mundo, mas quando Eu vos visitar o vosso coração se alegrará e vossa alegria ninguém poderá tirar" (João 16:21-22).

Por maior e mais consoladora que seja, a alegria que você sente neste momento é nada em comparação com aquela que o Senhor descreve, por intermédio de Seu Apóstolo: "A alegria que Deus reserva àqueles que O amam está para além de tudo o que pode ser visto, ouvido e sentido pelo coração do homem neste mundo" (ICor. 2:9). O que nos é concedido agora não passa de um gostinho desta alegria suprema. E se desde agora nós sentimos doçura, júbilo e bem estar, que dizer desta outra alegria que nos está reservada no céu após termos chorado aqui embaixo? Você já chorou bastante em sua vida e está vendo que consolação o Senhor lhe dá na alegria, desde aqui embaixo. Agora cabe a nós, amigo de Deus, usar todas as nossas forças para subir de glória em glória e "Constituir este homem perfeito, na força da idade, que realiza a plenitude do Cristo" (Efe. 4. 13). "Os que esperam no Senhor renovarão as suas forças, subirão com asas como águas; correção, e não se cansarão; caminharão, e não se fatigarão" (Isa. 40:31). "Andarão de altura em altura e Deus lhes aparecerá em Sião" (Sal. 84:7)*. Aí é que nossa alegria atual, pequena e breve, se manifestará em toda sua plenitude e ninguém poderá no-la tirar, pois estaremos repletos de indescritíveis volúpias celestes. . . Que mais está sentindo, amigo de Deus?

— Um calor extraordinário.

— Como, um calor? Não estamos na floresta, em pleno inverno? Há neve em nossos pés e sobre todo nosso corpo, e ela não para de cair. . . Que calor é esse?

— É um calor parecido com um banho de vapor.

— E o cheiro é como o de um banho?

— Ah, não! Nada no mundo pode se comparar a este perfume. Na época em que minha mãe ainda era viva, eu gostava de dançar, e quando ia ao baile, ela me borrifava perfumes caros que comprava nas melhores lojas de Kazan. Mas o cheiro deles não se comparava com estes aromas.

O Padre Serafim sorriu.

* (N. daT). — A tradução de J. F. de Almeida apresenta, no Sal. 84:7:"Vão indo de força em força; cada um deles em Sião aparece perante Deus."

— Sei disso, meu amigo, tão bem quanto você, e é de propósito que a lhe pergunto. É verdade — nenhum perfume terrestre pode se comparar ao cheiro bom que respiramos neste momento — o cheiro bom do Espírito Santo. O que é que pode ser parecido com isto, na terra? Você disse a pouco que fazia calor, como em um banho. Mas veja, a neve que nos cobre não esta derretendo. O calor não está no ar, mas sim dentro de nós. É aquele calor de que o Santo Espírito nos fez pedir em oração: "Que Teu Espírito Santo nos aqueça!" Esse calor permitia aos eremitas, homens e mulheres, não temerem o frio do inverno, por estarem envoltos, como por um manto forrado, por uma veste tecida pelo Espírito Santo.

É assim que deveria ser na realidade, a graça divina habitando no mais profundo de nós, em nosso coração. O Senhor disse: "O Reino dos céus está dentro de vós" (Luc. 17:21) — Na Tradução de J. F. de Almeida consta . . . "entre vós" — Por Reino dos Céus, Ele entende a graça do Espírito Santo. Este Reino de Deus está em nós agora. O Espírito Santo nos ilumina e nos aquece. Ele preenche o ar ambiente com perfumes variados, alegra nossos sentidos e sacia nossos corações com uma alegria indescritível. Nosso estado atual é semelhante àquele de que fala o Apóstolo Paulo: "O Reino de Deus não é comida nem bebida, mas justiça, paz e alegria no Espírito Santo" (Rom. 14:17). Nossa fé não se baseia em palavras de sabedoria terrestre, mas na manifestação do poder do Espírito. É o estado em que estamos agora e que o Senhor tinha em vista quando dizia "Em verdade vos digo que, dos que aqui estão, alguns há que não provarão a morte sem que vejam chegado o reino de Deus com poder."

Veja, amigo de Deus, que alegria incomparável o Senhor se dignou a nos conceder. Veja o que é "estar na plenitude do Espírito Santo." É o que quer dizer São Macário do Egito quando escreve: "Estive eu mesmo na plenitude do Espírito Santo." Mesmo sendo humildes como somos, o Senhor também a nos encheu da plenitude de Seu Espírito. Parece-me que a partir de agora você não terá mais o que perguntar sobre como a presença da graça do Espírito Santo se manifesta no homem.

Esta manifestação ficará para sempre gravada em sua memória?

— Não sei, Padre, se Deus me tornará digno de lembrar-me sempre dela, com tanta nitidez quanto agora.

Difusão da Mensagem.


— Eu, ao contrário — respondeu o staretz — acho que Deus o ajudará a guardar para sempre estas coisas na memória. Senão Ele não teria sido tão rapidamente tocado pela humilde prece do miserável Serafim e não teria realizado seu desejo tão depressa. Ainda mais que não é só a você que foi concedido ver a manifestação desta graça, mas ao mundo todo por seu intermédio. Você próprio assegurado, será útil para outros.

Monge e Leigo.


Quanto a nossos estados diferentes de monge e leigo, não se preocupe. Deus procura antes de tudo um coração cheio de fé nEle e em Seu Filho único, e em resposta à fé Ele envia do alto a graça do Espírito Santo. O Senhor busca um coração cheio de amor por Ele e pelo próximo — eis um trono, sobre o final Ele gosta de se sentar e onde Ele aparece na plenitude de Sua Glória. "Dá-me, filho meu, Teu coração, e o resto eu Te darei por acréscimo" (Pro. 23:26)*. O coração do homem é capaz de conter o Reino dos Céus. "Buscai primeiro o reino dos Céus e Sua justiça — disse o Senhor aos Seus discípulos — e o resto vos será acrescentado, pois Deus, vosso Pai, sabe que necessitais de todas estas coisas" (Mat. 6:32-33).

* (N. da T).: J. F. de Almeida apresenta "Dá-me, filho meu, o teu coração, e os teus olhos observem os meus caminhos."

Legitimidade dos Bens Terrestres.


O Senhor não reprova que gozemos dos bens terrestres e Ele próprio diz que, dada nossa situação aqui embaixo, precisamos deles para dar tranquilidade às nossas existências e tornar mais cômodo e fácil o caminho para nossa pátria celeste. E o Apóstolo Pedro estima que não há nada melhor no mundo do que a piedade unida ao contentamento. A Santa Igreja ora para isto nos seja dado. Apesar de que as dificuldades, os infortúnios e as necessidades sejam inseparáveis de nossa vida na terra, o Senhor nunca quis que as preocupações e misérias constituíssem toda a sua trama. É por isso que, pela boca do Apóstolo, Ele nos recomenda que carreguemos os fardos uns dos outros para obedecer a Cristo que pessoalmente nos deu o preceito de nos amarmos mutuamente. Reconfortados por este amor, a dolorosa caminhada na estreita via que leva à nossa pátria celeste nos será facilitada. Não desceu o Senhor do céu não para ser servido, mas para servir e dar Sua vida em resgate de muitos? (Mat 20:28; Mc 10:45).

Faça o mesmo, amigo de Deus e, consciente da graça de que visivelmente você foi objeto, comunique-a a todo homem que deseje a salvação.

Atividade Missionária.


"A Seara é grande" disse o Senhor, "Mas poucos os ceifeiros" (Mat. 9:37-38; Luc 10:21). Tendo recebido os dons da graça, somos chamados a trabalhar na colheita das espigas da salvação de nossos próximos, para os enceleirar em grande número no Reino de Deus a fim de que eles tragam seus frutos, uns a trinta, outros a sessenta, outros a cem. Estejamos atentos para não sermos condenados junto com o servo preguiçoso que enterrou a moeda a ele confiada, e tratemos de imitar os servos fiéis, que devolveram ao Senhor quatro, ao invés de dois, e dez, ao invés de cinco (Mat 25:14-30; Luc 19:12-27). Quanto à misericórdia divina, não se deve duvidar dela: veja você mesmo como as palavras de Deus, ditas por um profeta, se realizaram para nós. "Eu não sou um Deus longínquo" (Jer. 23:23; Na tradução de J. F. de Almeida, figura: "Sou Eu apenas Deus de perto, e não também o Deus de longe?")

Poder da Fé.


Mal fiz, miserável, o sinal da cruz, mal desejei em meu coração que o Senhor "nos tornasse dignos de ver Sua misericórdia, em toda sua plenitude, imediatamente Ele se apressou em realizar o meu desejo. Não digo isso para me glorificar, nem para lhe mostrar minha importância e deixá-lo com ciúmes, ou para que pense que é porque eu sou monge e você é leigo, não, amigo de Deus, não. "O Senhor está junto àqueles que O invocam. Ele não faz acepção de pessoas. O Pai ama o Filho e tudo colocou em Suas mãos."

Contanto que amemos a Ele, nosso Pai celeste, realmente como filhos. O Senhor ouve igualmente um monge e um homem do mundo, um simples cristão, contanto que ambos sejam ortodoxos (tenham a verdadeira fé), amem a Deus no fundo do seu coração e tenham uma fé "grande como uma montanha" (Mat 13:31-32; Mc 4:30-32; Luc 13:18-19), ambos removerão montanhas (Mc 11:23). "Como pode ser que um só perseguisse mil, e dois fizessem fugir dez mil" (Deu. 32:30). O próprio Senhor falou: "Tudo é possível àquele que crê" (Mc 9:23). E o santo Apóstolo Paulo exclama: "Tudo posso com Cristo que me fortalece" (Fil 4. 13). Mais maravilhosas ainda são as palavras do Senhor a respeito dos que crêem n'Ele: "Na verdade vos digo que aquele que crê em Mim também fará as obras que Eu faço, e as fará maiores do que estas: porque Eu vou para meu Pai. E tudo quanto pedirdes em Meu nome eu O farei, para que o Pai seja glorificado no Filho. Se pedirdes alguma coisa em Meu nome, eu o farei (João 14:12-14). "E rogarei por vós a fim de que nossa alegria seja perfeita. — Na tradução de J. F. de Almeida este trecho não constam do versículo 24. — Até agora nada pedistes em Meu nome; pedi, e recebereis, para que o vosso gozo se cumpra" (João 16:24).

É assim, amigo de Deus. Tudo o que você pedir a Deus, você obterá, contanto que seu pedido seja para a glória de Deus ou para o bem de seu próximo. Pois Deus não separa o bem do próximo de Sua Glória. "Tudo o que fizerdes ao menor dentre vós, é a Mim que o fareis" (Mat 10:40; Mc 9:37; Luc 9:48). Esteja certo de que o Senhor realizará seus pedidos; contanto que eles sejam feitos para a edificação e utilidade de seu próximo. Mas mesmo que seja para sua própria necessidade ou utilidade ou benefício que você pede alguma coisa, não tenha dúvida que Deus lhe concederá, se houver realmente necessidade, pois Ele ama os que O amam. Ele é bom para com todos. Sua misericórdia igualmente se entende àqueles que não invocam Seu Nome. Mais ainda fará as vontades dos que O temem. Ele realizará todos os seus pedidos, Ele não os recusará, por causa de sua fé ortodoxa em Cristo Salvador, pois Ele não abandona o certo dos justos nas mãos dos pecadores (Sal. 125:3)* e certamente fará a vontade de David Seu servo. Entretanto, Ele poderá lhe perguntar porque foi incomodado sem necessidade e porque você solicitou algo de que poderia facilmente se abster.

É isso, amigo de Deus, agora lhe disse tudo e mostrei na realidade tudo o que o Senhor e Sua Santa Mãe quiseram lhe mostrar por intermédio do miserável Serafim. Vá em paz, então. Que o Senhor e Sua Santa Mãe estejam com você agora e sempre e pelos séculos dos séculos. Amém, Vá em paz.

Durante todo o encontro, desde o momento em que o rosto do Padre Serafim se iluminou, a visão de luz continuou, e sua postura, do começo ao fim deste relato, permaneceu a mesma.

Quanto ao indescritível esplendor da luz que ele irradiava, eu vi com meus próprios olhos, e estou pronto a afirmá-lo sob juramento.

* Nota da Edição Francesa — Não raro, foi difícil estabelecer as referências acima. São Serafim, cujo espírito estava "imerso" nas Santas Escrituras (como, segundo ele próprio, o espírito de todo homem deveria estar), citava de memória e a tradução do eslavo que ele empregava nem sempre corresponde exatamente à versão da Bíblia de Jerusalém!

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